A vitimização da “nova política”

Como bem declarou Dilma Rousseff, Marina Silva, ao ser chamada para o debate de ideias, assume o papel de vítima e declara que está sendo atacada por seus adversários. E o papel de vítima a que Marina se presta parece ter sido abraçado por setores da mídia tradicional, especialmente com o enfraquecimento da candidatura de Aécio Neves, que hoje ocupa o terceiro lugar nas pesquisas.

No último sábado (13),  a Folha de S. Paulo traz uma matéria que passa longe da pretensa imparcialidade jornalística, dizendo que Marina chorou(link is external) ao saber das críticas feitas por Lula às suas promessas de campanha. Marina (e a reportagem) ainda comparou as supostas ofensivas do PT contra ela com aquelas feitas por Collor contra Lula em 1989. Mais uma vez, vamos relembrar as palavras de Dilma na entrevista que concedeu a colunistas do jornal O Globo “Eu não estou falando mal da candidata, eu estou discutindo os termos políticos postos e propostos por ela em seu programa de governo”. Lula também não fala mal da pessoa Marina Silva. As críticas são referentes ao discurso de Marina, cada vez mais alinhado com políticas econômicas neoliberais, que recua em áreas importantes de direitos humanos e apresenta diretrizes  muito diferentes das bandeiras defendidas pela candidata no passado, bandeiras novas que não se sustentam, diga-se de passagem.

Marina voltou a escorregar na última sexta(12), em entrevista(link is external) à Federação de Indústrias do Rio de Janeiro, quando afirmou pela segunda vez que Chico Mendes fez parte da elite brasileira, porque “elite não é quem tem dinheiro, é quem tem visão estratégica”. A coisa ainda fica pior, já que a candidata declarou que estes ajudaram na transição democrática da ditadura para a democracia. E o descompasso nas declarações vai ainda mais longe. Na mesma entrevista, ao dizer que está sendo caluniada, se comparou a Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul: “Mandela ficou 25 anos na prisão. Vocês se lembram do nome de seus algozes?”. A comparação desconsidera a trajetória pessoal e histórica dos dois personagens: enquanto Mandela viveu em regime ditatorial racista, o Brasil se encontra em democracia plena: a liberdade de expressão é valor caro ao Brasil atual. Aliás, cumpre notar que o debate político e a busca pelo entendimento e pelo consenso sempre foram a força de Mandela.

Não é só a vitimização que Marina pinta para si que tem ganhado espaço nas redes sociais: as idas e vindas do posicionamento da candidata e a negação de posturas anteriores vêm sendo algumas de suas principais características nesta corrida presidencial.  A pergunta que fica é: por que fugir do debate? Dilma tem lado: o lado do povo! E já falou mais de uma vez: “Se a pessoa não quer ser pressionada, ou criticada, não dá pra ser presidente da República. Um presidente não pode mudar de posição de 5 em 5 minutos”.

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