Dilma:”as universidades antes eram brancas, agora têm a cor do Brasil”

“Se existisse Bolsa Família na época em que minha mãe vivia na miséria, talvez os meus irmãos estivessem vivos”. A frase foi dita por Olívia Santana, do PC do B Afro, que tinha 8 irmãos. Quatro morreram – 2 deles num intervalo de uma semana. E um está desaparecido porque foi raptado.

A fala de Olívia (assim como sua realidade dramática) cabe na boca e na vida de milhões de mulheres negras que recebem o benefício. Foi uma frase forte, marcante, emocionante, uma das muitas ditas hoje no Ato pela Promoção da Igualdade Racial, que acabou de acontecer neste 13 de setembro em Nova Lima, na Grande BH, com a presença de Dilma Rousseff. Frases ditas por uma gente que sofreu por 500 anos, e começou a ser protagonista das ações de governo nos últimos 12.

Dilma também ouviu outra frase muito forte de Célia Gonçalves Sousa, representante dos povos de matriz africana, que falou sobre a relação entre Estado e religião: “Nós queremos um Estado que não reze, mas que nos permita rezar! E que permita aos ateus não rezar.”

Como se pode perceber, o evento rendeu muito o que se pensar.

Em sua fala, Dilma lembrou que, no censo de 2010, a maioria dos brasileiros se declarou negra. “A desvalorização do negro mudou na cabeça, no coração e na alma das pessoas. Isso é algo que o país conquistou pela luta dos movimentos negros”. A presidenta também destacou que mesmo após seu final, a escravidão deixou no país sua marca em forma de hierarquia perversa, que ainda existe: a exclusão social combinada com exclusão racial.

Dilma lembrou de algumas coisas das quais pode se orgulhar: o fato de Bolsa Família atender em sua grande maioria mulheres, e pessoas predominantemente negras; e nesse momento, a presidenta se dirigiu a Olívia, lamentando a época em que “o estado não tinha a sensibilidade de cuidar de uma mãe com filhos.”

A presidenta destacou que no Pronatec, mais de 70% dos 8 milhões de matrículas são de negros; a maioria dos beneficiados pelo ProUni é de negros; e graças ao sistema de cotas, “as universidades, que antes eram brancas, agora têm a cor do Brasil”.

Também falou que “a discriminação neste país passava por discriminação de oportunidades.  E quando eu vejo o filho do trabalhador negro virar doutor, eu fico muito feliz!”

Ela reconheceu que ainda há muito a ser feito, mas a mudança já começou. “Falta muito a se fazer na educação, porque a educação é fundamental para que tenhamos uma sociedade mais igual. O combate à discriminação começa lá na creche!” E completou: “[a educação] cria a consciência de cidadania, que faz com que as pessoas ergam a cabeça e saibam que todos nós somos brasileiros!”

A seguir, Dilma tocou num ferida profunda da sociedade brasileira: a violência contra o negro: ” eu apoio a lei contra os autos de resistência. A alegação de que o jovem negro foi morto porque resistiu. Não, ele foi morto porque foi morto. Essa violência é insuportável, indesejável e nós não podemos concordar com ela.”

Ao final dessa parte do discurso, um momento de descontração: uma mulher na plateia gritou: “Dilma, casa comigo!” A presidenta agradeceu e respondeu: “olha, eu não posso me casar ainda, mas posso lhe dizer que fiquei muito honrada com o convite!” ❤

Ao retomar o discurso, a presidenta voltou a cutucar adversários, ao lembrar que um presidente da república sofre pressão 24 horas por dia – e sobe e desce um Everest todo dia. “Se a pessoa não quer ser pressionada, ou criticada, não dá pra ser presidente da república. E a gente tem que entender por que um presidente não pode mudar de posição de 5 em 5 minutos.”

Dilma lembrou de quando foram aprovadas as leis de cotas nas universidades e no serviço público. Ela recebeu pressões contrárias de todos os tipos “Você tem que governar para todos, mas tem que dar atenção aos mais frágeis, não dá pra vacilar diante do Twitter” #indiretarecebida.

A presidenta também falou do pré-sal e do que o petróleo contido nessa camada do subsolo brasileiro representa. Concluiu: “Tem que acabar com essa história de que o pré-sal não é estratégico. Ele é estratégico, sim, e vai mudar esse país nos próximos dez anos!”

O discurso da presidenta foi encerrado com uma frase lapidar: “Se querem tirar o pobre do orçamento e colocar os bancos, nós não queremos e não aceitamos!”

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